A Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) revolucionou a
biologia molecular, permitindo a amplificação precisa de fragmentos de DNA.
Seja na sua forma convencional ou em Tempo Real, a PCR é uma ferramenta
fundamental em laboratórios de pesquisa, diagnóstico e forense. No entanto, a
contaminação é um desafio persistente que pode comprometer a precisão e a
confiabilidade dos resultados.
Neste artigo, exploraremos os diversos tipos de contaminação
que podem ocorrer em reações de PCR convencionais e em tempo real, os impactos
que podem ter nos resultados e as estratégias para minimizar esse problema.
Contaminação na PCR Convencional:
A PCR convencional é amplamente utilizada para amplificar
segmentos específicos de DNA. No entanto, está sujeita a diversos tipos de
contaminação, incluindo:
Contaminação Cruzada: Uma das formas mais comuns de
contaminação na PCR convencional é a transferência inadvertida de DNA
amplificado de uma amostra para outra. Isso pode ocorrer durante a pipetagem
das amostras ou ao compartilhar equipamentos entre diferentes reações sem a
devida limpeza e descontaminação.
Contaminação do Template: O próprio DNA template utilizado na
reação pode ser uma fonte de contaminação. Se o DNA template estiver presente
em alta concentração ou se não for manipulado adequadamente, ele pode
contaminar os reagentes e os equipamentos, levando a resultados falsos
positivos.
Contaminação de Reagentes: Os reagentes utilizados na PCR,
como os primers e a Taq DNA polimerase, podem estar contaminados com DNA
amplificado de outras reações. Isso pode ocorrer durante o preparo dos
reagentes ou devido ao armazenamento inadequado dos mesmos.
Contaminação na PCR em Tempo Real:
A PCR em tempo real permite a detecção e quantificação da
amplificação de DNA em tempo real, proporcionando uma maior sensibilidade e
precisão. No entanto, também está sujeita à contaminação, que pode se
manifestar de diversas formas:
Contaminação da Sonda/Primer: As sondas e primers
fluorescentes utilizados na PCR em tempo real podem ser contaminados com DNA
amplificado de outras reações. Isso pode resultar em fluorescência de fundo e
comprometer a interpretação dos resultados.
Contaminação dos Poços da Placa: Durante a pipetagem das
amostras em uma placa de PCR em tempo real, é possível que ocorra contaminação
dos poços. Isso pode ser especialmente problemático quando são analisadas
múltiplas amostras em uma única placa.
Contaminação do Instrumento: Os instrumentos utilizados na
PCR em tempo real, como os termocicladores e os fluorímetros, podem se tornar
fontes de contaminação se não forem limpos adequadamente entre as execuções das
reações.
Estratégias para Minimizar a Contaminação:
Felizmente, existem medidas que podem ser tomadas para
reduzir o risco de contaminação em reações de PCR:
Adotar Boas Práticas de Laboratório (BPL): Manter uma área de trabalho limpa e
descontaminada, utilizar equipamentos e materiais estéreis, e seguir técnicas
de pipetagem cuidadosas são fundamentais para evitar a contaminação.
Utilizar Controles Negativos: Incluir controles negativos em todas
as reações de PCR é uma prática essencial para monitorar a presença de
contaminação de reagentes.
Implementar Controles Positivos: Utilizar controles positivos
conhecidos para garantir que a reação está funcionando corretamente e para
detectar qualquer contaminação que possa ter ocorrido.
Limpar Regularmente os Equipamentos: Limpar e descontaminar os
equipamentos, incluindo pipetas e instrumentos de PCR, com soluções
desinfetantes adequadas entre as execuções das reações.
Utilizar Tubos e Ponteiras de Qualidade: Utilizar tubos e ponteiras de alta
qualidade, livres de nucleases e DNases, pode ajudar a minimizar o risco de
contaminação.
A contaminação em reações de PCR, seja convencional ou em
tempo real, é um desafio significativo que pode comprometer a precisão e a
confiabilidade dos resultados. No entanto, seguindo boas práticas de
laboratório e adotando medidas adequadas de controle de qualidade, é possível
minimizar esse problema e garantir resultados confiáveis em estudos
moleculares. A conscientização sobre os diferentes tipos de contaminação e a
implementação de estratégias preventivas são essenciais para o sucesso das
análises de PCR e para avanços significativos na pesquisa científica.
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