As doenças genéticas são causadas por alterações no material genético de um indivíduo, que podem afetar o seu desenvolvimento, funcionamento e saúde.
O diagnóstico molecular dessas doenças é fundamental para a prevenção, tratamento e aconselhamento genético. No entanto, o diagnóstico molecular tradicional, baseado em técnicas como PCR, apresenta limitações como baixa sensibilidade, especificidade, cobertura e resolução.
Por isso, novas abordagens inovadoras têm sido desenvolvidas para superar esses desafios e oferecer resultados mais precisos, rápidos e abrangentes.
Neste artigo vamos apresentar três dessas abordagens: NGS (sequenciamento de nova geração), microarranjos de DNA e PCR digital. Vamos explorar as vantagens, desafios e aplicações dessas tecnologias, além de fornecer insights atualizados sobre ferramentas diagnósticas avançadas e seus impactos na prática clínica.
NGS: Sequenciamento de Nova Geração na genética
O NGS é uma tecnologia que permite o sequenciamento massivo e paralelo de milhões de fragmentos de DNA em um único experimento. Essa tecnologia possibilita a análise de todo o genoma (WGS), todo o exoma (WES) ou painéis específicos de genes relacionados a uma determinada doença ou condição.Esse método possui diversas vantagens em relação ao sequenciamento tradicional, como maior velocidade, custo-benefício, resolução e cobertura. Além disso, o NGS permite a detecção de variantes genéticas de diferentes tipos, como polimorfismo de nucleotídeo único (SNPs), inserções e deleções (indels), variações no número de cópias (CNVs) e rearranjos cromossômicos.
O NGS tem sido amplamente utilizado no diagnóstico molecular de doenças genéticas, especialmente aquelas de herança mendeliana ou complexa, que envolvem múltiplos genes ou regiões genômicas.
Por exemplo, o NGS pode ser usado para identificar mutações causadoras de doenças raras, como distrofias musculares, síndromes neurodegenerativas e imunodeficiências primárias. O NGS também pode ser usado para detectar variantes associadas a doenças comuns, como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. Além do mais, ele pode ser aplicado na farmacogenética, metagenômica, filogenética, evolução, expressão gênica, genômica, que estuda a influência dos genes na resposta aos medicamentos.
No entanto, o NGS também apresenta alguns desafios no diagnóstico molecular de doenças genéticas. Um deles é a necessidade de uma infraestrutura adequada para a realização dos testes, que envolve equipamentos sofisticados, reagentes específicos e pessoal qualificado.
Outro desafio é a análise e a interpretação dos dados gerados pelo NGS, que requerem softwares especializados, bancos de dados atualizados e critérios rigorosos realizados pelos profissionais bioinformatas. Ademais, ele pode gerar resultados incertos ou inesperados, como variantes de significado clínico desconhecido (VUS), achados incidentais ou resultados não conclusivos.
Microarranjos de DNA: ampliando a detecção de doenças
Os microarranjos de DNA são plataformas que permitem a hibridização de milhares de sondas de DNA fixadas em uma superfície sólida com amostras de DNA alvo. Essa tecnologia possibilita a análise simultânea de múltiplas regiões do genoma em um único experimento. Esse método pode ser usado para avaliar alterações no número ou na estrutura dos cromossomos, como aneuploidias, deleções, duplicações e SNP. Essas alterações são chamadas de variações no número de cópias (CNVs) e podem causar ou predispor a diversas doenças genéticas.É importante ressaltar que os microarranjos de DNA têm diversas vantagens em relação às técnicas citogenéticas convencionais, como cariótipo e FISH, como maior sensibilidade, resolução e abrangência. Igualmente, os microarranjos de DNA permitem a detecção de CNVs submicroscópicas ou em regiões não cobertas por técnicas citogenéticas.
Por exemplo, os microarranjos de DNA podem ser usados para identificar CNVs causadoras de síndromes genéticas, como a síndrome de Williams, a síndrome de Prader-Willi e a síndrome de DiGeorge. Os microarranjos de DNA também podem ser usados para detectar CNVs associadas a doenças complexas, como autismo, esquizofrenia e deficiência intelectual.
No entanto, os microarranjos de DNA também apresentam alguns desafios no diagnóstico molecular de doenças genéticas. Um deles é a necessidade de uma padronização dos protocolos e dos critérios para a definição e a interpretação das CNVs. Outro desafio é a análise e o manejo dos dados gerados pelos microarranjos de DNA, que podem incluir CNVs benignas, patogênicas ou de significado clínico incerto. Adicionalmente, eles podem gerar resultados inesperados ou controversos, como mosaicismos, polimorfismos ou alterações em regiões não relacionadas à indicação clínica.
PCR Digital: precisão e sensibilidade no diagnóstico molecular
A PCR digital é uma técnica que permite a quantificação absoluta e precisa de moléculas de DNA ou RNA em uma amostra. Essa técnica consiste na divisão da amostra em milhares de compartimentos individuais, onde ocorre a amplificação das moléculas alvo por PCR. A detecção das moléculas amplificadas é feita por fluorescência, permitindo a contagem direta das moléculas originais presentes na amostra. A PCR digital tem diversas vantagens em relação à PCR convencional ou em tempo real, como maior sensibilidade, especificidade, reprodutibilidade e dinâmica.Esse método tem sido aplicado no diagnóstico molecular de doenças genéticas, especialmente aquelas que envolvem alterações quantitativas ou qualitativas do DNA ou RNA. Vale destacar que a técnica de dPCR é menos susceptível a inibidores que podem afetar a amplificação em qPCR. Isso a torna particularmente útil em amostras complexas ou desafiadoras. Embora a dPCR possa ser um pouco mais cara e demorada em comparação com a qPCR.
Por exemplo, a PCR digital pode ser usada para quantificar o número de cópias de genes ou regiões genômicas relacionados a doenças como a síndrome de Down e a distrofia muscular de Duchenne.
Também pode ser usada para detectar mutações pontuais ou pequenas inserções ou deleções em genes associados a doenças como a fibrose cística, a hemofilia e a talassemia. Além disso, a PCR digital pode ser aplicada na detecção e quantificação de ácidos nucleicos virais ou bacterianos em amostras clínicas.
A PCR digital apresenta desafios no diagnóstico molecular de doenças genéticas, sendo um deles a necessidade de otimizar os parâmetros da reação e a análise dos dados para garantir resultados precisos.
Outro desafio é a limitação da capacidade multiplex da PCR digital, que restringe o número de alvos que podem ser analisados simultaneamente. Além disso, a PCR digital pode gerar resultados falso-positivos ou falso-negativos, decorrentes de contaminações, inibidores ou variações na qualidade das amostras.
Vantagens das abordagens inovadoras no diagnóstico genético
Como vimos, as abordagens inovadoras no diagnóstico genético, como NGS, microarranjos de DNA e PCR digital, oferecem diversas vantagens em relação às técnicas tradicionais, como:- Maior cobertura e resolução do genoma, permitindo analisar múltiplos genes ou regiões simultaneamente, com alta precisão e detalhamento.
- Maior eficiência e custo-benefício, reduzindo o tempo, o custo e o material biológico necessário para o diagnóstico.
- Maior abrangência e personalização do diagnóstico, possibilitando a identificação de alterações genéticas raras ou complexas, bem como a adaptação do painel de genes ou regiões conforme a necessidade clínica.
- Maior impacto na saúde pública e na pesquisa científica, contribuindo para o aumento do conhecimento sobre as bases moleculares das doenças genéticas, a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e familiares e o desenvolvimento de novas terapias e estratégias preventivas.
Desafios na implementação de tecnologias avançadas e como superá-los
Apesar das vantagens das abordagens inovadoras no diagnóstico genético, existem também alguns desafios na sua implementação e utilização:- Melhoria na infraestrutura e capacitação técnica adequadas, envolvendo equipamentos, reagentes, softwares e profissionais qualificados para a realização e a interpretação dos testes.
- Necessidade de padronização e validação dos métodos e dos resultados, seguindo normas de qualidade e de ética, bem como critérios de evidência científica e de relevância clínica.
- Integração e atualização dos dados genômicos, considerando a diversidade e a dinamicidade do genoma humano, bem como a interação com fatores ambientais e epigenéticos.
- Comunicação e educação efetivas, envolvendo médicos, pacientes, familiares e sociedade, sobre os benefícios, os limites e as implicações do diagnóstico genético.
Para superar esses desafios, é fundamental a colaboração entre diferentes atores do sistema de saúde, como laboratórios, hospitais, clínicas, universidades, órgãos reguladores, sociedades científicas e associações de pacientes.
Ainda mais, é essencial a promoção de uma cultura de inovação e de aprendizagem contínua, que estimule o desenvolvimento e a disseminação de novas tecnologias e conhecimentos na área do diagnóstico molecular de doenças genéticas.
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