A tendência de envelhecimento da população traz à tona a preocupação com as doenças neurodegenerativas. Essas patologias, caracterizadas pela perda progressiva de função das células do sistema nervoso, têm a idade como principal fator de risco.
Exemplos comuns de doenças neurodegenerativas incluem:
- Alzheimer: marcada por perda de memória, confusão, alterações de personalidade e declínio cognitivo progressivo.
- Parkinson: caracterizada por tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos e problemas de equilíbrio.
- Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos, resultando em perda de controle muscular, fraqueza e, eventualmente, paralisia.
- Doença de Huntington: causada por uma mutação genética, faz com que as células do cérebro se rompam ao longo do tempo e causa movimentos involuntários, alterações cognitivas e distúrbios psiquiátricos.
Esse cenário demanda soluções em grande escala para aumentar a qualidade de vida da população. Nesse sentido, pesquisas científicas têm proporcionado novas perspectivas de tratamento. A seguir, vamos conhecer desafios, inovações e oportunidades nesse campo.
Os desafios no tratamento de doenças neurodegenerativas
As doenças neurodegenerativas afetam diversas regiões do cérebro, da medula espinhal e de outros componentes do sistema nervoso.Além da deterioração das células, elas podem causar processos inflamatórios e acúmulo de substâncias anômalas no cérebro (no caso do Alzheimer, placas de beta-amiloide; no caso do Parkinson, corpos de Lewy).
O diagnóstico ágil e correto permite maior qualidade de vida ao paciente. No entanto, os desafios são grandes:
- Sintomas não específicos: fadiga, problemas para dormir, perda de memória e dificuldade de concentração são sinais de doenças neurodegenerativas, mas podem também estar ligados a outras condições, como problemas hormonais e nutricionais.
- Progressão lenta: essas doenças levam tempo para evoluir. Os sintomas podem ser muito leves no início e podem ser confundidos com as características comuns ao envelhecimento. Por isso, a detecção precoce é desafiadora.
- Necessidade de investigação exaustiva: o diagnóstico demanda a exclusão de outras possíveis patologias, o que exige uma extensa avaliação clínica, testes laboratoriais e exames de imagem. Para profissionais de saúde e fornecedores, é essencial garantir procedimentos laboratoriais adequados.
- Falta de biomarcadores definitivos: a maioria das doenças degenerativas carece de padrões que indiquem sua presença, como alterações moleculares, celulares ou bioquímicas que possam ser medidas com precisão repetidas vezes.
- Variação dos sintomas: cada paciente pode apresentar uma combinação única de sintomas e progressão da doença, o que dificulta o diagnóstico.
- Grande dependência de avaliação clínica: o diagnóstico correto dessas patologias requer observação e interpretação correta dos sintomas, algo que exige experiência considerável dos profissionais de saúde.
Por outro lado, pesquisas científicas têm avançado na compreensão do funcionamento do corpo humano, o que ajuda a propor novas estratégias de diagnóstico e manejo. Vamos ver alguns exemplos a seguir.
Terapia genética e pesquisas inovadoras sobre Alzheimer
A proteína beta-amiloide está no centro das investigações científicas para combater o Alzheimer.Seu acúmulo no cérebro provoca a formação de placas que impedem a transmissão de informação entre os neurônios – a causa de problemas cognitivos e da falta de memória.
Em 2022, cientistas americanos apontaram um caminho mais eficiente para eliminar resíduos da proteína e prevenir tanto o Alzheimer quanto outras doenças degenerativas. A descoberta poderia levar à criação de um medicamento, por exemplo, mas exige mais estudos.
Outra frente promissora é a terapia genética. Pesquisadores analisam a técnica CRISPR-Cas9 para editar o DNA humano e frear a produção excessiva de placas de beta-amiloide no cérebro.
Há ainda estudos de imunoterapia que buscam retardar ou interromper o Alzheimer. A ideia seria o próprio sistema imunológico eliminar as placas de beta-amiloide, evitando, assim, a progressão dos sintomas.
Progressos na terapia para Parkinson e uma possível vacina
Os avanços científicos no combate à doença de Parkinson se concentram na compreensão dos mecanismos que causam a degeneração das células nervosas.Inclusive, foram os trabalhos nesse segmento que consolidaram o conhecimento atual sobre a ação da dopamina no cérebro, hormônio ligado ao prazer e à motivação.
As pesquisas caminham para desenvolver medicamentos para reduzir a degeneração das células nervosas. Um estudo da Universidade Stanford divulgado em 2023 identificou um gene que pode, no futuro, permitir a produção de uma vacina contra o mal de Parkinson.
Outra frente de trabalho analisa os efeitos da estimulação cerebral profunda, uma técnica que envolve a implantação de eletrodos no cérebro para reduzir tremores e outros sintomas motores do Parkinson. Pesquisas continuam a aprimorar essa abordagem para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Terapias emergentes em outras condições
Pesquisas com células-tronco são outra linha promissora de trabalhos científicos para combater o câncer, a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e outras doenças degenerativas.Cientistas investigam como essas células, obtidas na medula óssea e no sangue do cordão umbilical, podem ser usadas para substituir ou reparar células nervosas danificadas.
Revolução tecnológica no tratamento
O desenvolvimento de novas tecnologias pode contribuir para um avanço sem precedentes na medicina nos próximos anos.A seguir, vamos entender como algumas dessas tecnologias podem apoiar o diagnóstico precoce e o monitoramento da resposta ao tratamento de doenças neurodegenerativas.
- Inteligência artificial (IA) e aprendizagem de máquina (machine learning): podem ser aplicadas para analisar grandes conjuntos de dados clínicos, identificar padrões e predizer o desenvolvimento dessas patologias.
- Técnicas de neuroimagem: a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a ressonância magnética funcional (fMRI), por exemplo, oferecem uma compreensão mais detalhada da progressão de doenças.
- Identificação de biomarcadores: pesquisadores continuam em busca de alterações no organismo que ajudem a detectar doenças degenerativas com maior precisão e a monitorar a eficácia de terapias.
- Diagnóstico molecular: ao combinar conhecimentos de genética, bioquímica e biologia celular, o diagnóstico molecular tem revolucionado a compreensão de como se dá a evolução das patologias.
- Automação em processos laboratoriais: robôs que manipulam líquidos e sistemas que rastreiam todas as etapas do processo de análise clínica são exemplos de automação laboratorial. Esses processo ajudam a reduzir custos e a fazer diagnósticos mais precisos em menos tempo.
Esperança para pacientes e profissionais de saúde
Além dos avanços científicos, centros de informação e programas de apoio a pacientes com doenças neurodegenerativas desempenham um papel crucial na conscientização e no fornecimento de recursos educacionais. Veja alguns exemplos:No Brasil:
- Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz): organização sem fins lucrativos, oferece suporte emocional e divulga informações sobre a doença. Acesse o site da ABRAz.
- Associação Brasileira de Parkinson (ABP): promove pesquisas científicas, eventos e campanhas e fornece informações para pacientes. Acesse o site da ABP.
No mundo:
- Alzheimer's Association: uma das maiores organizações dedicadas à doença no mundo. Oferece suporte, recursos e informações para pacientes e familiares. Acesse o site.
- Michael J. Fox Foundation: fundada pelo ator Michael J. Fox, tem como foco a pesquisa e o suporte a pacientes com Parkinson. Acesse o site.
- World Parkinson Coalition: organiza o Congresso Mundial de Parkinson, um evento global que reúne profissionais de saúde, pesquisadores, pacientes e cuidadores para compartilhar conhecimentos e experiências. Acesse o site.
Como a Neobio apoia a inovação no tratamento de doenças degenerativas
A Neobio é referência no mercado de produtos, equipamentos e consumíveis para laboratórios. Somos parceiros de empresas mundialmente reconhecidas como: Ampliqon, Biosan, Cleaver Scientific, Elemental Microanalysis, Norgen e SPL Life Sciences.Oferecemos uma ampla variedade de soluções para nossos clientes, desde análises clínicas até pesquisas científicas. Acesse o site da Neobio e conheça o nosso catálogo!
Confira outros artigos autorais da Neobio
A importância dos testes de diagnóstico molecular na detecção de doenças.
A importância da segurança no laboratório
Benefícios e desafios da automação laboratorial