03/02/2023

Ensaio de genotoxicidade em cultura de células

A avaliação da genotoxicidade é importante para determinar se uma substância pode causar um dano ao DNA. É uma etapa crítica na avaliação de segurança de produtos químicos e medicamentos. Os ensaios de genotoxicidade, portanto, avaliam danos ao DNA que consequentemente podem levar à mutações que podem levar ao câncer. Os resultados dos testes de genotoxicidade são usados para determinar se uma substância é segura para uso humano e ambiental. Se os resultados são positivos, pode representar um risco para a saúde humana e para o meio ambiente. Os testes de genotoxicidade são uma ferramenta importante que garantem que os produtos sejam seguros antes de serem lançados no mercado.

O que é a genotoxicidade?

O termo genotoxicidade é um conceito que descreve a capacidade dos compostos em causar danos à estrutura do DNA, no entanto os efeitos genotóxicos no DNA nem sempre resultam em mutações. A avaliação da genotoxicidade pode ser realizada em culturas de células, utilizando testes como o ensaio de micronúcleos e o ensaio do cometa. Os testes de genotoxicidade são regulamentados e exigidos pela maioria das agências regulatórias, incluindo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), para garantir que os produtos químicos e medicamentos sejam seguros para o uso humano e ambiental.

O que é a mutagenicidade?

A mutagenicidade se refere à indução de alterações permanentes na sequência de DNA de um organismo. Existem vários tipos de mutações, que podem alterar, desde um único gene até cromossomos inteiros. As mutações são causadas por agentes químicos e físicos, os quais são denominados de agentes mutagênicos. As mutações somáticas contribuem para o desenvolvimento de várias patologias, incluindo o câncer. Além disso, os testes de mutagenicidade também são importantes para a identificação de mutações genéticas que possam ser passadas de uma geração para outra. Esses testes são essenciais para o estudo da evolução e da biologia molecular e para a compreensão da gênese de doenças genéticas.

Testes de genotoxicidade

Teste do micronúcleo

Este teste detecta as alterações cromossômicas que ocorrem durante a divisão celular que foram provocadas pelas substâncias testadas em culturas de células. O micronúcleo consiste numa porção citoplasmática de cromatina redonda ou oval que se localiza perto do núcleo. A sua formação é resultante de uma lise na molécula de DNA quando as células são expostas a determinadas substâncias com potencial carcinogênico. Sua análise é realizada em lâminas de microscopia sobre a qual as células são dispensadas com o auxílio de uma micropipeta e ponteiras estéreis e então as mesmas são fixadas e coradas pelo corante Giemsa.

Teste do Cometa

O teste do cometa ou “Single cell gel electrophoresis” é uma técnica de eletroforese em gel empregada para avaliação de danos de DNA em células individuais. As células submetidas ao Ensaio Cometa são incluídas em gel de agarose e dispostas em fina camada sobre lâminas histológicas. Primeiramente se realiza a lise das membranas celulares e na sequência induz-se a migração eletroforética do DNA em gel de agarose em cuba horizontal. Ao analisar em microscópio de fluorescência, a célula que migra toma a aparência de um cometa e sua cauda é formada por fragmentos de DNA. A visualização é possível utilizando corantes intercalantes de DNA como o Brilliant Green Plus, que substitui o brometo de etídio, que possui potencial mutagênico, o qual oferecia risco ao usuário. Sua análise se baseia no grau de fragmentação do DNA e a sua migração pelo gel de agarose, as medidas do comprimento da cauda e a densidade de DNA fornecem dados indiretos sobre o estado do DNA da amostra. Esse teste é amplamente utilizado como ensaio de genotoxicidade de produtos industriais e farmacêuticos por ser um teste rápido, de baixo custo e de fácil execução.

Aplicação do teste do cometa - Ensaio da água fecal

A análise da genotoxicidade da água fecal é um teste que visa avaliar a presença de agentes genotóxicos nas fezes, pode ser realizada em humanos ou roedores. As fezes são coletadas e congeladas em tubos criogênicos e armazenadas em ultrafreezer -80, posteriormente são descongeladas, solubilizadas em tampão fosfato (PBS) e levadas para a centrífuga para se coletar o sobrenadante com o auxílio de uma micropipeta.

As células podem ser cultivadas em placas para cultura de células ou garrafas para cultura celular em meios de cultura adequados e então são expostas à água fecal, obtida das fezes solubilizadas durante 4 h em estufa a 37° . Em seguida, as células são submetidas ao teste do cometa a fim de se avaliar os possíveis danos causados ao DNA. Os possíveis agentes genotóxicos presentes na água fecal são resultantes de compostos presentes nos alimentos que por sua vez podem causar danos à mucosa colônica e iniciar um processo de carcinogênese, podendo levar ao desenvolvimento do câncer de cólon.


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