O sequenciamento de DNA revolucionou a biologia molecular, permitindo que os cientistas desvendassem os mistérios contidos nas bases nitrogenadas do genoma humano e de outros organismos.
Dentre as diversas técnicas desenvolvidas para essa finalidade, destaca-se o sequenciamento de Sanger, também conhecido como sequenciamento de primeira geração, pois foi o primeiro a ser amplamente utilizado e padronizado.
O método de Sanger é uma técnica que permite determinar a sequência de nucleotídeos de um fragmento de DNA. Desenvolvida em 1977 pelo bioquímico inglês Frederick Sanger e seus colaboradores, e rendeu-lhe o Prêmio Nobel de Química em 1980.
Neste texto, falaremos dos princípios básicos e fundamentos do sequenciamento de Sanger, os conceitos da técnica, como a reação de sequenciamento, a separação dos fragmentos de DNA e a interpretação dos resultados. Além disso, discutiremos as aplicações práticas da metodologia na pesquisa e no diagnóstico molecular.
Fundamentos do sequenciamento de Sanger
O sequenciamento Sanger baseia-se na síntese in vitro de uma cadeia complementar ao molde de DNA que se quer sequenciar, utilizando uma DNA polimerase, nucleotídeos comuns (dATP, dCTP, dGTP e dTTP) e nucleotídeos marcados com um corante fluorescente e terminadores da cadeia (ddATP, ddCTP, ddGTP e ddTTP).Os nucleotídeos terminadores são análogos aos comuns, mas não possuem o grupo hidroxila na posição 3' do açúcar desoxirribose, o que impede a formação da ligação fosfodiéster com o próximo nucleotídeo. Assim, quando um nucleotídeo terminador é incorporado pela DNA polimerase, a síntese é interrompida.
Reação de sequenciamento: Conceitos-chave
A reação de sequenciamento consiste em misturar o molde de DNA (geralmente um plasmídeo ou um fragmento clonado), um primer (um oligonucleotídeo complementar a uma região conhecida do molde), uma DNA polimerase termoestável (como a Taq polimerase), os quatro nucleotídeos comuns e os quatro nucleotídeos terminadores em uma solução tampão adequada.A reação é submetida a ciclos de desnaturação (aquecimento para separar as cadeias de DNA), hibridização (resfriamento para permitir a ligação do primer ao molde) e extensão (temperatura ótima para a atividade da DNA polimerase).
A cada ciclo, novas cadeias complementares são sintetizadas a partir do primer, com comprimentos variáveis e terminadas por um nucleotídeo marcado. O resultado é uma mistura complexa de fragmentos de DNA com diferentes tamanhos e cores, que refletem a posição e o tipo do nucleotídeo terminador.
Separação dos fragmentos de DNA
Para separar os fragmentos de DNA gerados na reação de sequenciamento, utiliza-se uma técnica chamada eletroforese capilar.Nessa técnica, os fragmentos são injetados em um capilar preenchido por um gel líquido e submetidos a um campo elétrico.
Os fragmentos migram pelo capilar em razão do seu tamanho e carga elétrica, e os menores migram mais rápido que os maiores. Ao sair do capilar, os fragmentos passam por um detector óptico que registra o comprimento e a cor de cada fragmento.
Interpretação dos resultados
A interpretação dos resultados é uma etapa crucial no sequenciamento de Sanger. Após a separação dos fragmentos de DNA e a geração dos cromatogramas, é possível extrair informações valiosas sobre a sequência de bases nucleotídicas do DNA analisado.No cromatograma, cada pico de fluorescência representa uma base específica (A, T, C ou G) presente no fragmento de DNA. A altura e a intensidade dos picos indicam a quantidade relativa de cada base na sequência. A leitura começa a partir do primer utilizado na reação de sequenciamento e segue ao longo do fragmento, base por base, até atingir o final.
A interpretação dos resultados envolve a identificação das bases em cada posição da sequência. Os picos mais altos e nítidos no cromatograma geralmente indicam as bases dominantes naquele trecho do DNA, enquanto picos menores podem representar bases secundárias ou ruído de fundo. É importante levar em consideração a qualidade dos picos e descartar qualquer sinal ambíguo ou ruído. Vale destacar que a utilização de soluções que eliminam os produtos pós PCR otimizam esses picos, como no caso do PureIT, ExoZAP e PCR CleanUp que estão disponíveis em nosso site.
Além disso, é essencial realizar uma análise de qualidade dos dados. Durante o sequenciamento, podem ocorrer erros, como a incorporação incorreta de bases ou problemas técnicos que afetam a qualidade dos dados. Por isso, é importante avaliar a qualidade de cada base, verificando a presença de picos bem definidos, ausência de picos adulterados e identificação de possíveis regiões problemáticas.
Após a interpretação dos resultados, as sequências de bases podem ser comparadas com bancos de dados genômicos para identificar genes, variantes genéticas ou até mesmo realizar estudos de filogenia. A análise bioinformática posterior é crucial para explorar as informações obtidas no sequenciamento e compreender melhor a estrutura e função do DNA sequenciado.
A interpretação dos resultados no sequenciamento de Sanger requer habilidades técnicas e conhecimento em análise de sequências. É essencial contar com profissionais capacitados e utilizar ferramentas bioinformáticas adequadas para extrair o máximo de informações dos dados sequenciados.
O sequenciamento de Sanger, com sua abordagem confiável e precisa, tem sido amplamente utilizado em pesquisas científicas e aplicações clínicas. Avanços tecnológicos recentes levaram ao desenvolvimento de técnicas de sequenciamento de próxima geração (NGS), que permitem sequenciar uma quantidade muito maior de DNA de forma mais rápida e econômica. No entanto, o sequenciamento de Sanger ainda desempenha um papel importante em diversas áreas da biologia molecular e continua sendo uma técnica de referência para muitos estudos.
Aplicações na pesquisa e diagnóstico molecular
O sequenciamento de Sanger tem diversas aplicações na pesquisa e no diagnóstico molecular.Por exemplo, ele pode ser usado para:
- Identificar genes e mutações associados a doenças genéticas ou câncer.
- Comparar sequências de DNA de diferentes espécies ou indivíduos para estudos de filogenia, evolução, diversidade genética ou paternidade.
- Analisar a expressão gênica de um organismo em diferentes condições ou estágios de desenvolvimento.
- Verificar a qualidade e a integridade de plasmídeos ou fragmentos clonados.
- Validar os resultados obtidos por outras técnicas de sequenciamento, como as de segunda ou terceira geração.
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